Sua vida é chata por que você ouve a conversa dos outros ou você ouve a conversa dos outros porque sua vida é chata?
Quando eu falo outros não me refiro a amigos, conhecidos.
Os outros são qualquer pessoa que esteja conversando em local público, num tom alto o suficiente para que você se envolva com a história, a ponto de ficar mudo se estiver acompanhado; o que foi? você ouviu o que eu disse? ahn?
Longe de ser uma mania apenas de gente curiosa e fofoqueira, ouvir conversa de desconhecidos ajuda a entender um pouco sobre nós. Os problemas, a indiscrição.
Quando nossos ouvidos encontram um estranho relatando suas histórias e de outros estranhos, (às vezes até coincide de contar uma experiência que já vivemos), começamos a lembrar de nós mesmos. A vontade que dá é virar para o lado e falar: mas por que você não faz isso?
Mas será que faríamos o que pensamos em sugerir? Separaria do marido ou tentaria mais uma vez? Largaria o emprego estável e chato para morar fora do país? Contaria para a amiga que ela está sendo traída ou deixaria ela descobrir por conta própria?
Tem quem não ligue em falar sobre sua vida em um lugar sem paredes, até elas têm ouvidos; não protegem nada.
Esses são aqueles que nunca ouviram conversa alheia.
Porque quem ouve a dos outros não conta a sua em qualquer lugar.
Espaço amplo, não a ponto de causar eco, pode ser uma boa escolha, mas os melhores são os barulhentos. Talheres, música, risadas dão aquela acusticidade que todo confidente quer ao contar sobre sua vida.
Mesmo assim, se o caso for daqueles bem cabulosos, olhe pros dois lados, escolha o momento e o interlocutor certos e só aí solte.
E se nada disso acontecer, vá para casa e pegue o telefone.
A chance dele estar grampeado é infinitamente menor* que a de um curioso estar de ouvido espichado no seu relato.
* não válido para políticos, empreiteiros, lobistas e afins, falando de Brasília ou de qualquer outro lugar do país.
quarta-feira, 12 de março de 2008
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