terça-feira, 11 de março de 2008

Cabra cega

Um Big Brother sem data para terminar.
É assim que se vive em 2008.
A coisa toda já tem tempo, mas há alguns anos vem alcançando o seu limite.
Não precisa ter casa com decoração grifada ou ofurô no jardim.
E não interessa se, no fim do dia, não há ninguém pra mandar pro paredão.
Ou praquele lugar.
E também não precisa ter corpo de capa de revista masculina.
É consenso geral. A sensação e a confirmação de que se está sendo constantemente vigiado só aumentam.
Nas grandes cidades e nas nem tão grandes assim, prédios colados uns aos outros descomplicaram a vida dos voyeurs e rebaixaram o uso dos binóculos.
Vai a olho nu mesmo.
Os assanhados, e que não são exibicionistas, tiveram que forçosamente abandonar os elevadores.
E, meninas, antes de entrar na loja, preparem o make up e o carão porque estamos sendo filmadas.
As histéricas portas dos bancos já causaram constrangimentos demais vasculhando bolsas e foram alçadas a vilãs. (com tantas taxas, não era mais do que na hora de colocarem aqueles armários).
E em nome de uma onipresente segurança, os aeroportos confiscam e exibem numa caixa transparente tudo que por eles for classificado como danoso: faca, tesouras, pinças de tirar pêlos.
Alguns vão dizer que em nome da segurança vale perder a privacidade, que quem vê cara não vê coração ( ainda), que as pessoas estão cada vez mais loucas.
Mas e o que fazer quando se lê uma revista de fofoca no cabeleireiro e a pessoa que está fazendo a mão ao lado, e que você nunca viu na vida, começa a comentar compulsivamente e em voz alta sobre as matérias da sua revista como se estivesse lendo com você?

Pára tudo que eu quero me esconder.

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