terça-feira, 18 de março de 2008

Há tanta vida lá fora?


Responder e-mails, baixar músicas, ver aquele viral, ler e-mails, os olhos correndo no jornal, responder a sms, atender ao celular, baixar fotos, enviar outras, escrever um texto, acessar os blogs, navegar nos sites, entrar no msn, responder um teste do Facebook, e aquele alguém que você nunca viu no Orkut, ouvir uma banda nova no MySpace, atualizar o Favoritos do YouTube, BBB ou um filme repetido da tv paga, dor na coluna, pensar naquele texto, imprimir os arquivos do ipod.
A tecnologia liberta.
A tecnologia aprisiona.

Google me

Essa todo o mundo, inclusive você, já fez.

O ator Colin Farrel declarou fazer ao menos uma vez por mês.
(alguém avise o rapaz que já existe assessoria de imprensa, clipping e afins).
Dar um Google no seu nome.

Pode ser narcisismo e/ou curiosidade pura e simples. O que conta é que os resultados da busca são surpreendentes. Você nunca sabe o que vai encontrar. Mesmo.
Isso caso a peregrinação pelo outro você se limite ao Google.
A Internet, como sabemos, é muito vasta, um breu.
Fucei e encontrei.
Cento e cinqüenta e sete resultados.
Confesso que me senti invadida,comum, sem propriedade; imaginei como seria a vida dessas outras eus.

Não me estendi muito, mas notei que havia repetidas menções à odontóloga socialite, à vereadora do Norte, à fã número 1 da Wanessa Camargo e até à atriz paulista.

E nem uma para mim.
Foi quando me senti protegida por todas elas.

quarta-feira, 12 de março de 2008

No seu lugar

Sua vida é chata por que você ouve a conversa dos outros ou você ouve a conversa dos outros porque sua vida é chata?
Quando eu falo outros não me refiro a amigos, conhecidos.
Os outros são qualquer pessoa que esteja conversando em local público, num tom alto o suficiente para que você se envolva com a história, a ponto de ficar mudo se estiver acompanhado; o que foi? você ouviu o que eu disse? ahn?

Longe de ser uma mania apenas de gente curiosa e fofoqueira, ouvir conversa de desconhecidos ajuda a entender um pouco sobre nós. Os problemas, a indiscrição.
Quando nossos ouvidos encontram um estranho relatando suas histórias e de outros estranhos, (às vezes até coincide de contar uma experiência que já vivemos), começamos a lembrar de nós mesmos. A vontade que dá é virar para o lado e falar: mas por que você não faz isso?
Mas será que faríamos o que pensamos em sugerir? Separaria do marido ou tentaria mais uma vez? Largaria o emprego estável e chato para morar fora do país? Contaria para a amiga que ela está sendo traída ou deixaria ela descobrir por conta própria?

Tem quem não ligue em falar sobre sua vida em um lugar sem paredes, até elas têm ouvidos; não protegem nada.
Esses são aqueles que nunca ouviram conversa alheia.
Porque quem ouve a dos outros não conta a sua em qualquer lugar.
Espaço amplo, não a ponto de causar eco, pode ser uma boa escolha, mas os melhores são os barulhentos. Talheres, música, risadas dão aquela acusticidade que todo confidente quer ao contar sobre sua vida.
Mesmo assim, se o caso for daqueles bem cabulosos, olhe pros dois lados, escolha o momento e o interlocutor certos e só aí solte.
E se nada disso acontecer, vá para casa e pegue o telefone.
A chance dele estar grampeado é infinitamente menor* que a de um curioso estar de ouvido espichado no seu relato.

* não válido para políticos, empreiteiros, lobistas e afins, falando de Brasília ou de qualquer outro lugar do país.

terça-feira, 11 de março de 2008

Cabra cega

Um Big Brother sem data para terminar.
É assim que se vive em 2008.
A coisa toda já tem tempo, mas há alguns anos vem alcançando o seu limite.
Não precisa ter casa com decoração grifada ou ofurô no jardim.
E não interessa se, no fim do dia, não há ninguém pra mandar pro paredão.
Ou praquele lugar.
E também não precisa ter corpo de capa de revista masculina.
É consenso geral. A sensação e a confirmação de que se está sendo constantemente vigiado só aumentam.
Nas grandes cidades e nas nem tão grandes assim, prédios colados uns aos outros descomplicaram a vida dos voyeurs e rebaixaram o uso dos binóculos.
Vai a olho nu mesmo.
Os assanhados, e que não são exibicionistas, tiveram que forçosamente abandonar os elevadores.
E, meninas, antes de entrar na loja, preparem o make up e o carão porque estamos sendo filmadas.
As histéricas portas dos bancos já causaram constrangimentos demais vasculhando bolsas e foram alçadas a vilãs. (com tantas taxas, não era mais do que na hora de colocarem aqueles armários).
E em nome de uma onipresente segurança, os aeroportos confiscam e exibem numa caixa transparente tudo que por eles for classificado como danoso: faca, tesouras, pinças de tirar pêlos.
Alguns vão dizer que em nome da segurança vale perder a privacidade, que quem vê cara não vê coração ( ainda), que as pessoas estão cada vez mais loucas.
Mas e o que fazer quando se lê uma revista de fofoca no cabeleireiro e a pessoa que está fazendo a mão ao lado, e que você nunca viu na vida, começa a comentar compulsivamente e em voz alta sobre as matérias da sua revista como se estivesse lendo com você?

Pára tudo que eu quero me esconder.

Lá fora

Alameda Santos, em uma quinta feira de março.
Os ouvidos da rua tipicamente paulistana confirmam. São Paulo é Babel.
Um grupo de comissários de bordo negros, altos, elegantes em meio a malas e idioma afro.
Dois alemães ou canadenses ou britânicos ou americanos, vermelhos e perdidos.
Um jovem casal chinês e sua filha.

Uma campo-grandense à espera do amigo argentino e sua namorada campineira.
Ser brasileira e se sentir estrangeira no Brasil.
Isso é estar em São Paulo.

domingo, 2 de março de 2008

Sunday




Domingo com criança correndo, amigos, almoço bom, leiturinha de fim de tarde, bolo de chocolate.
Saudade de quem tá longe.
Nem parece domingo.