
Adivinhem quem invadiu meu sonho noite passada?
Bill Clinton.
Com topete branco, sorriso malicioso e roupa de fim de semana.
Nem nos sonhos o imperalismo americano dá brecha.
Eles estão por toda parte.
Não me lembro de ter sonhado alguma vez com presidentes. Nem quando era estagiária. Será a corrida presidencial americana altamente midiatizada a responsável pela estranha aparição de Bill no meu subconsciente?
Não sou partidária de ninguém dessa campanha. Não conheço, não vivencio, não voto.
Mas por que então na noite passada esse cara estava jogando uma conversa furada pra cima de mim?
Bill deixou a presidência americana para se tornar candidato a primeiro marido. Parece que até agora tem se dado bem.
Adeus, personagem traidor e repugnante. Nessa nova temporada, o vestido manchado de Mônica Lewinsky, a estagiária gordinha, já está fora de moda. O falso depoimento de Clinton é coisa de Youtube. E o salão oval espera ansioso por um uso mais adequado.
Não foi só Bill que sofreu reviravoltas.
Hillary, a esposa traída perante a nação, deixou o papel de mulher condescendente e generosa para se tornar protagonista da sua história.
Dessa vez, sem lágrimas, sem perdões.
Mulher nenhuma perdoa. Por que Hillary seria diferente?
Seu grande papel estava por vir e Bill a ajudaria. Nada é de graça nesse mundo, baby.
Tal qual um colar de diamantes é entregue para as milionárias que se descobrem traídas, Bill busca auxiliar na entrega da presidência americana a Hillary.
Mas ele já não tem mais tanta utilidade, e Hillary sabe disso.
Ela posa de mulher mil e uma utilidades, até fingir perdão ela sabe, e usa o seu amor de adolescência como aparato para chegar lá.
Apenas isso. A função de Bill Clinton é acessória e dispensável.
Hillary, você esqueceu ele lá em casa noite passada.
Me avisa quando for buscar que eu deixo na portaria.
